quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cavalgada

Vou cavalgar
Sair sem destino
Emaranhar nas matas
Dos meus desatinos
No meu corcel branco
Para sempre partirei
Não deixarei vestígios
Nos solos onde andarei
Mas se um dia eu voltar
Meu corcel virá comigo
Pois na minha cavalgada
Foi ele meu único amigo

O mar

O mar é imenso
É pedaço do oceano
O mar é mistério
Imerge meu desengano
É profundeza escura
Onde habitam desconhecidos
Meus ontens e amanhãs
Flagela meu eu sofrido
O mar também é bálsamo
E cura minhas feridas
Quando nele navego
Buscado enseadas perdidas

Bolhinhas

Lata com espuma
Canudo de mamão
Pequenina eu soprava
Bolhinhas de sabão
O vento vinha morno
Soprando ele varria
Bolhinhas coloridas
Pedaços de alegria
Contente eu olhava
As bolhinhas subindo
Umas se espocavam
Outras iam sumindo
Era um festival
Leves bolhas coloridas
Alegria tão passageira
Infância já perdida
Lata com espuma
Canudo de mamão
Onde andarão vocês
Bolhinhas de sabão

Meu anjo

Quando criança
Em mim morou um anjo
Eu cresci
E num mundo de tormentos
Por mim passaram ventos
E meu anjo se foi
Hoje sou adulta
Meu corpo ficou vazio
Fiquei com minh’alma oca
Sem meu anjo criança
Que sem dizer o porquê
Sem dizer adeus...
Partiu

Cenas

No passeio, num anseio
A mulher me estende a mão
Caminhando no compasso
Vencia-me o cansaço
Das cenas tão iguais
Da noite fria
Do passeio-cama
Onde a mulher dormiria
Passei, escutei
Um pedido, uma súplica
Perdoei-me Deus
Por negar
Por seguir sem parar
É que sou humana
Também mendigo:
Vida

Ânsia

Esta vontade de ser
O que não fui
E talvez já seja
Mas a ansiedade é tanta
Que me perdi
Sem saber se já sou

Desgosto

Há dias em que não quero
Ser gente nem bicho
Ter vontade ou preguiça
Ter orgulho nem capricho
Há dias em que só quero
Sentar e ficar sozinha
Ver o vento me levar
Qual folha bem sequinha