quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Fala sério?

O Cristo Redentor de braços abertos
mostrando o tamanho da violência
daquela , outrora, Cidade Maravilhosa
talvez até oferecendo-se como alvo
de tantas balas perdidas
a ceifar tantas vidas inocentes.
De repente,
a situação toma um rumo
avassalador
veículos incendiados
assaltos a mão armada
morros dominados pelos traficantes.
O governo recorre às forças armadas
tanques de guerra, helicópteros,
atiradores de elite
para fazer uma limpeza na cidade
marcada pela violência
"Ninguém sai de casa"
é a voz no morro
tiros cruzam no ar
militares entrincheirados
de repente, fala sério?
vem descendo uma Cinderela
com uma roda de saia
sapato alto, coque no cabelo
seguida pelo cortejo familiar
todos nos trinques
a polícia faz a abordagem
quase suspende aquela saia
para ver se tinha droga embaixo
_Calma Coronel! diz o pai
Hoje minha filha esta debutando
nós vamos pro baile fank!
O policial libera a passagem
Fala Sério?
os moradores encaixaram sua vida
nas modalidades do morro
enquanto os tiros são disparados
um aniversário é comemorado
um bandido é morto
uma criança nasce...
Mas neste País
há uma sensação eterna
de que ninguém
FALA SÉRIO.

sábado, 23 de outubro de 2010

Mary Kay Cosmética

As feias que me perdoem
mas investir em beleza
é fundamental.
Invista em Mary Kay.

Mary Kay Cosmética, sou consultora em Feira de Santana, tenho produtos para pronta entrega. Faço cadastro de novas consultoras.

Abaixo, telefones para contato

75 32218488 / 75 88443190 / 75 34876467

email: cryspinto@gmail.com

sábado, 25 de setembro de 2010

Primavera: meu cravinho corre pelo jardim.

É primavera
explosão de cor e luz!
No jardim
desabrocham flores,
e entre elas,
o cravinho amarelo
sorri.
Esta florzinha
ali nascera
e floresce no meu coração
colorindo minha vida
fazendo-me sentir
vontade de seguir
mão dadas com ele
renascendo a cada
nova descoberta
rejuvenescendo
com sua juventude
sorrindo feito criança
sem pensar no amanhã.
Meu cravinho amarelo
corre pelo jardim
anunciando
minha primavera
que hoje começa
e será eterna
por causa do meu cravinho!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A solitária

Sempre fora uma mulher solitária. Volta e meia busca seu quarto, cômodo predileto da casa e, arrodeada de livros, mergulha numa realidade esquisita e melancólica. Por quê os livros trazem tanta melancolia? É como se fossemos personagens das suas histórias e chorássemos todas suas lágrimas. Aquela senhora, oitentona, intelectual, sempre fora pouco social, tivera sempre um empecilho para sair, todos inadequados à ocasião, deixando transparecer sempre: "Não vou, quero ficar só!" E ninguém conseguira derrubar aquela negativa. Não era medo de sair era fascínio pela solidão. Cansara de dormir naquele casarão, onde os fantasmas têm medo de ir pois lá habitam as piores das assombrações: o próprio passado, impregnado em nossa própria alma, inapagável, intransferível.

Quanto mais o ser humano coloca barreiras em sua vida, mais elas aumentam e tomam proporção descabida, a ponto daquela senhora dizer-se presa em casa, imaginem, refém de um gato e três calangos, animais de estimação frequentadores do seu quintal.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

PROCURO - PARA REVENDA

COSMÉTICOS

ROUPA ÍNTIMA

MODA FEMININA

CAMA MESA BANHO

ACESSÓRIOS FEMININOS IMPORTADOS

Aulas de croché

Na vida, observo as cenas do quotidiano e procuro tirar delas o cômico que há. Estava na nossa casa de praia, na casa ao lado, três coroas faziam croché, junto à mais idosa uma jovem sentada ao chão.
Era um crocheterapia, cada uma delas cozia conforme sua personalidade, podia se perceber de longe, o momento que cada uma vivia.

A mais velha, cozia e deixava a agulha despencar em seu colo, dormindo e crochetando. A jovem sentada ao chão, brincalhona, começava a tossir, a coroa se assustava, suspendia a agulha e recomeçava a cozer. Cochilava novamente... Era um croché sem fim!

A mais tagarela, cozia apertando a linha no dedo indicador, ao ponto de arroxeá-lo, pois falava de problemas mal resolvidos. Era o croché mágoa, roxinho, roxinho!

A viúva saudosa, conformada e romântica, cozia e observava o céu, os pássaros, a ponto de confundir urubu com pássaro preto. Parecia estar cozendo no Jardim do Éden esperando a Carruagem para o paraíso. Era o croché ilusão, típico de pessoas que voam sobre a realidade, difícil de vivê-la.

Na verdade, nenhuma peça foi concluída, era uma terapia igual a todas as outras, não se chega a conclusão nenhuma, o croché ficou cheio de imperfeições, desmancha-se tudo para recomeçar outro dia... enquanto seu lobo não vem.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Em busca de negócios

Atenção empresários e fornecedores:

Moro na cidade de Feira de Santana - Bahia, com 600.000 habitantes, cidade em crescimento comercial e industrial constante, onde há também grandes atividades no setor agroindustrial.
Tenho duas filhas farmacêuticas, Farmácia Clínica Industrial, e com elas gostaria de montar uma Farmácia de Manipulação.

Aguardo contato dos interessados.

domingo, 4 de julho de 2010

Neverland, o Mosquitário

Na Fazenda Neverland, terra do nunquinha, Coronel Esmeraldo e eu, somos sócios proprietários. O Coronel, aprendiz de fazendeiro, dita ordens o dia inteiro. Enquanto isso, não dou trelas, sento-me à varanda, coloco meu Net Andróid em cima da mesa, e faço conexão com o mundo. Vez em quando desvio o olhar e procuro o Coronel, desastrado como só, sempre se estabocando pelo mato adentro à procura de flores e frutos. Olho ao redor, a vegetação é verde e rala, forte é o vento, muge o gado, e vou pensando tediosamente, se aqui eu morasse, desceria as ribanceiras, dando cabriolas para o tempo passar... onde estarão minhas crianças? Como elas me fazem falta! Meus filhos são meus filhos, e filhos e filhas da vida! Como é ruim ficar neste ermo, com este Coronel mandão. Ele agora passa tangendo as galinhas, os saqués e os patos. Deveria encher esta terra de bichos, que nem a Arca de Noé, e criar também perus, porcos, gansos, toda especie doméstica de animais. Nãoooo! Peru, não pode. Porco, não pode. Ganso, não pode. Assim grita o Coronel, como se fosse, o Vice-Deus! Respeito, sim sim meu Senhor. Que se dane Coronel rabugento! Quero meu Android e meus conhecimentos! Mas, fica aquela duvida: que bicho poderei criar em Neverland, que passe despercebido! Já sei! Vou acionar a minha Budinha Caraca. Concentro-me e ela aparece:
_ Ó Budinha Caraca, você que lê meus pensamentos à distância, que animal poderia eu criar em Neverland, que passasse despercebido do Corenel?
_Ó minha amada criatura, sugiro-a que construa um Mosquitário!
_Um Mosquitário, que é isto?
_Um criatório de mosquitos: pequeno espaço, pequenos insetos... O Coronel é tão doca, jamais perceberia a sua criação, e não a importunaria. Você estaria também, colaborando para o bem estar da sociedade, tirando estes intrusos do nosso meio. Medite e verá!
Pensei que a Budinha Caraca estivesse delirando, mais saí com minha lupa à procura dos pernilongos de Neverland.

domingo, 20 de junho de 2010

Bonecas de Pano

Sempre que vou à Fazenda Laje, entrando na Estrada do Feijão, passo pela Vila de São José, pequeno povoado à beira da estrada. Junto ao acostamento ficam expostos trabalhos artesanais das mulheres desta Vila. São Bonecas de Pano, tapetes de retalho e capas de almofada. Chamam a minha atenção, aquelas bonecas de pano, de vários tamanhos, penduradas num Varal, e as maiores sentadas em cadeiras, dando um tom alegre e colorido, naquele lugar.
Hoje, tive a oportunidade de parar e conversar um pouco com a artesã Marilene Brito, que foi muito receptiva. Foi um diálogo rápido, mesmo assim, Marilene me falou que fazia Bonecas Ecológicas e Terapêuticas, feitas em tecido, com enchimento em plástico e com armação de arame para ficar articulada. Comentou que fazia um trabalho terapêutico numa Entidade e fazia parte da Rede Produtoras de Mulheres Artesãs de Feira de Santana.
Fiquei de voltar a encontrar Marilene para trocarmos idéias. Sempre que tenho estes encontros, fico feliz em ver mulheres humildes e batalhadoras, com tanto potencial dentro de si, espalhando seus trabalhos pelo mundo lá fora.
Parabéns, amiga. Breve nos veremos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

MINHA LIVRARIA - SEBO

01 Coleção Conhecer
01 Coleção Disney Escoteiros Mirins
01 Enciclopédia Barsa
01 Coleção Revista MUITO

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Curiosidades

Você sabia...

A Pangea englobava todos os continentes em um só. Sabemos que a terra é formada de Placas Tectónicas, que formam os Continentes. Devido ao efeito catastróficos de terremotos, as placas se afastam ou, muitas vezes, se racham, separando-se uma das outras.

Foi descoberto recentemente por cientistas, que no fundo dos oceanos, existe um magma em constante erupção, que ao entrar em contato com a baixa temperatura das águas oceânicas, endurece formando elevações, montes de vários tamanhos, como se fossem cordilheiras.

Chegou-se a conclusão, que este fenômeno é também responsável pelo constante avanço das marés, assim como, o encobrimento de partes do continente pelas águas dos oceanos.






Idéias & Artes

Olá!

Faço embalagens em juta e TNT, bijuterias com fitas e miçangas, pequenas topiarias, flores de papel crepom, de fitas e em tecido, imãs de geladeira, biscuit com moldes.

Gosto muito de artesanato, não gosto de jogar nada fora sem antes analisar se aquilo servirá para minhas criações. Todos são capazes de criar algo, dentro de cada um de nós existe um potencial enorme de habilidades e idéias. O artesanato é uma verdadeira terapia, ocupa nossas mãos e preenche nossas mentes de coisas boas e construtivas, além de nós proporcionar um lucruzinho tão necessário para complementar a nossa renda.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Louco

Sempre ele passa
No meio da rua
Sujo e rasgado
Realidade crua
Atrás dele fica
O mau cheiro, o espanto:
- Sai daqui miserável!
Ser humano, garanto
Se todos soubessem
Da insuportável loucura
Teriam pelo louco
Um pouco de ternura

Meninos do mundo

Há sempre uma criança
Na rua ou na esquina
De olhos amedrontados
Vivendo em surdina
Suas vestes maltrapilhas
Descalços são seus pés
Desnutridos e famintos
Marinheiro sem convés
Eles buscam o abrigo
No relento da noite
Cobertos de jornais
Curtem chuva de açoite
São crianças ou animais?
Às vezes me confundo
Meu Deus o que fazer
Com os meninos do mundo?

Flor e dor

Vejo a dor sobre o muro
A balançar com o vento
Houve dias escuros
E de grande sofrimento
Entre mim e a flor
Eu só enxergava o muro

Miséria

Na calçada da igreja
Uma mulher preta
Amamentava um filho preto
Havia próximo a eles
Um saco de lixo preto
Tudo se confundia
Em uma só cor
Em uma só dor
Em ausência de amor
Não pude fazer nada
Para colorir um quadro tão triste
Pintado com cores escuras
Da miséria humana

Insana idade

É sempre ele
Que vaga pelas ruas
Alheio e sujo
Nas viradas das luas
Não sei o seu nome
Nem de onde vem
Passa por todos
Não conhece ninguém
Sinto sua dor
De louco da cidade
Criatura sem dono
Em tão tenra idade
Com ele me identifico
Na mais cruel verdade
Dos meus dias de loucura
Na minha insana idade

Louco de fome

E lá estava o louco
E a fome
O louco de fome
Comia o lixo
O lixo da rua
A rua dos homens
Os homens do mundo
O mundo dos loucos
Dos loucos de fome

Cavalgada

Vou cavalgar
Sair sem destino
Emaranhar nas matas
Dos meus desatinos
No meu corcel branco
Para sempre partirei
Não deixarei vestígios
Nos solos onde andarei
Mas se um dia eu voltar
Meu corcel virá comigo
Pois na minha cavalgada
Foi ele meu único amigo

O mar

O mar é imenso
É pedaço do oceano
O mar é mistério
Imerge meu desengano
É profundeza escura
Onde habitam desconhecidos
Meus ontens e amanhãs
Flagela meu eu sofrido
O mar também é bálsamo
E cura minhas feridas
Quando nele navego
Buscado enseadas perdidas

Bolhinhas

Lata com espuma
Canudo de mamão
Pequenina eu soprava
Bolhinhas de sabão
O vento vinha morno
Soprando ele varria
Bolhinhas coloridas
Pedaços de alegria
Contente eu olhava
As bolhinhas subindo
Umas se espocavam
Outras iam sumindo
Era um festival
Leves bolhas coloridas
Alegria tão passageira
Infância já perdida
Lata com espuma
Canudo de mamão
Onde andarão vocês
Bolhinhas de sabão

Meu anjo

Quando criança
Em mim morou um anjo
Eu cresci
E num mundo de tormentos
Por mim passaram ventos
E meu anjo se foi
Hoje sou adulta
Meu corpo ficou vazio
Fiquei com minh’alma oca
Sem meu anjo criança
Que sem dizer o porquê
Sem dizer adeus...
Partiu

Cenas

No passeio, num anseio
A mulher me estende a mão
Caminhando no compasso
Vencia-me o cansaço
Das cenas tão iguais
Da noite fria
Do passeio-cama
Onde a mulher dormiria
Passei, escutei
Um pedido, uma súplica
Perdoei-me Deus
Por negar
Por seguir sem parar
É que sou humana
Também mendigo:
Vida

Ânsia

Esta vontade de ser
O que não fui
E talvez já seja
Mas a ansiedade é tanta
Que me perdi
Sem saber se já sou

Desgosto

Há dias em que não quero
Ser gente nem bicho
Ter vontade ou preguiça
Ter orgulho nem capricho
Há dias em que só quero
Sentar e ficar sozinha
Ver o vento me levar
Qual folha bem sequinha

Amigo

(Para Roberto)

Amigo que fica comigo
Se não vou
Amigo que não chora comigo
Pra não ser maior minha dor
Amigo que nunca me disse não
Que sempre me perdoou
Amigo que segue comigo
Na alegria e na dor

Morrer

Morrer é ter medo de si

Busca

Voo pelos ares
Singro pelos mares
Não estou
Fito o horizonte
Tento lá me ver
Me encontro em você

Tentativa

Já tentei ser flor
Já quis ser o amor
Imaginei-me sendo vida
Um adeus, uma despedida
Já tentei ser o tudo
Ser o nada consegui
Me perdi no vazio
Sem saber se vivi

No céu

No céu passou
Um avião e um pássaro
Para o avião veloz
As crianças olharam e fugiram
Para o pássaro pequenino
Olharam e sorriram
O avião passou veloz
Deixando fumaça
O pássaro permaneceu
No ar, bailando com graça

Aurora II

Nunca mais vi o sol
Dourando minhas manhãs
É que chega a maturidade
E, pela ordem natural das coisas,
Tem que colorir os meus poentes

Aurora I

Fraca neblina
No resto da madrugada
Leves rumores
De recente despertar
Punhal dourado
É o raio do sol
Que assassina a noite
Numa morte temporária
Num crime necessário
E o dia nasce
Sorrindo